Ecos pernambucanos e financiamento de campanha

by Humberto Laudares

Sim,  a entrevista de Jarbas Vasconcelos a VEJA foi bombástica. Hoje, "todos (partidos) são corruptos". Eu costumo dizer que, no Brasil, o partido honesto é aquele que desvia recursos apenas para financiar campanha eleitoral. Tal definição, embora absurda do ponto de vista moral, é puramente realista. Segundo artigo publicado na Folha de São Paulo há alguns meses, 15-20% do valor das obras de infra-estrutura de 2000-2006 nos três níveis de governo foram desviados. É preciso ter em mente que este valor é de mercado (de obras públicas) e que 15-20% do seu imposto pago está ai no meio!


Quando Jarbas fala da necessidade de se promover a "reforma de todas as reformas", a política, um dos temas principais certamente é o de financiamento de campanha. Esse é apenas um dos tópicos que os legisladores parecem fazer de conta que não é com eles, pois todos estamos no meio. Uns de gerenciarem, outros de executarem e todos nós de aceitarmos. 
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Como consertar? O que acham de começarmos por um sistema que prime por transparência e realismo (assumindo que a sociedade é representada por um conjunto de interesses de grupos – muitas vezes desconexos e contrastantes – e que eles têm direitos legítimos de tentarem influenciar o decurso político. Têm direitos, como também responsabilidades. Podem financiar campanhas, como precisam declarar e prestar contas. Ademais, que a lei deve regular os atores sociais segundo a realidade que estão imersos e em prol do bem público e não estabelecer um testamento de boas-vontades)? Em seguida, podemos adicionar planejamento e orçamento credíveis, controle na execução, monitoramento e avaliação de resultados e muita transparência. Claro que as cobranças da sociedade civil – não somente em gritos voluntaristas, mas em nível técnico – e da imprensa seriam também bem-vindas. 
Isso poderia ser o início, mas parafraseando Alexandre Schwartsman em relação à crise americana (post anterior), "é muito feio"…