Humberto Laudares

Economia & Política. Às vezes, outras coisas também

Month: fevereiro, 2009

Entre o céu e a terra

As taxas de juros mensais de operação de crédito pessoal no Brasil variam entre 1,02 e 25,44%! Quem tiver interesse, dê uma olhada no sítio do próprio Banco Central

Naturalmente, as financeiras cobram os juros mais altos do mercado. 

Somente para referência, a taxa de juros referência no Brasil, a Selic, está em 12,75% ao ano. Já para as grandes empresas, o BNDES faz empréstimos usando a famosa – e difícil de entender – TJLP, que está em 6,25% ao ano

E no Brasil?

Market Cap - BR Banks

PS: Gráfico remetido gentilmente pelo meu amigo Tomas Anker. 

Tudo encolheu e encolherá


O encolhimento dos bancos globais, em termos de valor de mercado, é uma bela foto (abaixo) da seriedade da crise fincanceira que estamos enfrentando. Barack Obama declarou ontem que mais bancos vão fechar as portas. 

O Presidente norte-americano quer que o teto salarial de executivos dos bancos que receberam recursos do TARP, o Programa de Alívio de Ativos Problemáticos, seja US$ 500 mil. Para aqueles que ganhavam milhões em bonus, a festa acabou. Afinal, tudo encolheu e encolherá – pelo menos, por algum tempo.
Banks mkt cap

O que se avista da estratosfera?

É mesmo admirável o nível de aprovação de Lula, 84%, e de seu governo, 72%, segundo a pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje. A trajetória de alta aprovação do Presidente levou a oposição a praticamente ficar calada, mesmo com tantas coisas para se debater e melhorar. 

Sendo pragmáticos, os possíveis presidenciáveis da oposição também se calaram, pois o risco de criticar o presidente poderia ser muito alto. Com a repentina subida de Dilma nas pesquisas de intenção de voto, logo após sua cirurgia plástica, a pergunta que fica é: qual será o preço do pragmatismo? 

Há quem aposte que com o arrefecimento da crise financeira este ano, este nível de aprovação tende a cair. Então, seria a hora para iniciar as pesadas críticas. O meu único receio é que se a oposição seguir esta linha, será cúmplice dos desastres causados pelas políticas adotadas pelo próprio governo. Torna-se cúmplice ao omitir-se. Torna-se cúmplice ao não representar a voz naturalmente discordante de seus partidos políticos, daqueles que os elegeram e de sua – ainda curta – história. 

Ademais, a oposição corre dois riscos: 1) o de Lula não perder a sua estratosférica popularidade e 2) a de se não eleger. 

Estratosfera

Nada muda, além do preço

O que muda com o PMDB na presidência da Câmara e do Senado em relação às eleições de 2010? Nada, no que se refere a quem apoiará, pois o PMDB sempre muda. Mas o custo do seu apoio será dobrado. 

Os ventos do norte

O que muita gente já sabia há algum tempo parece que está – tardiamente – preocupando o governo, pelo menos no que diz respeito à publicidade da preocupação: a crise vai ser feia este ano.


Lula reuniu hoje seus Ministros – pela segunda vez – para discutir os efeitos da crise e anunciar o contingenciamento de RS$ 37,2 bilhões no orçamento de 2009. Muitos estados e prefeituras já haviam anunciado medidas deste tipo há um bom tempo. Governos contingenciam recursos quando não têm certeza se haverá arrecadação suficiente para pagar os gastos previstos no orçamento. Certamente, a arrecadação irá cair, como os dados da Secretaria da Receita Federal de dezembro de 2008 já apontavam. 

Enquanto isso, as coisas não fazem sentido. Os gastos com o Bolsa Família aumentarão R$ 1,8 bilhão. O PAC tem dinheiro "garantido", segundo a Ministra da Casa-Civil, mas não desempaca. O Tesouro emite dívida pública pra transferir R$ 100 bilhões para o BNDES. Hoje, a Petrobrás, a espera de mais recursos provindos dos cofres públicos, passou a admitir que terá que fazer cortes no seu plano de investimentos. 

As medidas anunciadas são esparsas e sem sentido quando agrupadas em uma linha lógica. Simplesmente, não há comunicação clara com o público. Duvido que haja, também, claridade no conjunto de decisões. 

No final das contas, parece que, no desespero, Lula está adotando a estratégia do seu primeiro mandato: já que a maioria dos investimentos não vai sair mesmo, vamos colocar mais dinheiro no Bolsa Família que 20% do eleitorado estará feliz.

Semana passada o jornal O Estado de São Paulo divulgou que 62% das obras do PAC estão atrasadas. A Ministra da Casa Civil está fora de casa atrás de votos. O governo está desorganizado e perdido. Sendo pragmático, "é melhor investir no que já deu certo", poderíamos pensar. Porém, a crise é inédita e será profunda. A mesma receita não se aplica neste novo cenário. Não me parece que com este comportamento o governo vai ter a destreza necessária para atravessar nem uma marolinha, pois os ventos do norte estão fortes. 

Ressaca

Dor de cotovelo

Paul Krugman, o mais novo Prêmio Nobel em Economia, não está bravo com Obama, mas claramente não se conforma de não estar ocupando o lugar de  Timothy Geithner, Secretário do Tesouro, ou de Larry Summers, Presidente do Conselho de Assessoria Econômica. 


Mad

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