Adeus Bolívia
maio 28th, 2009 § 1 Comentário
Não existe mais um país chamado Bolívia. Agora é “Estado Pluninacional da Bolívia”… Que conquista, hein, Morales?!
Conteúdo matters!
maio 26th, 2009 § Deixe um comentário
1) Antônio Anastasia, atual Vice Governador de Minas Gerais, veio fazer uma apresentação sobre o Choque de Gestão no Banco Mundial. Não havia ainda ouvido sobre a experiência mineira da boca do próprio criador.
Conclusão: Minas é um estado privilegiado em ter um Vice-Governador – e talvez futuro Governador – com este calibre.
2) Daron Acemoglu (MIT), um dos melhores - creio que o melhor – economista atual, acabou de fazer uma apresentação sobre a crise financeira atual. Está ensinando no FMI economia política da crise financeira – coisas que muitos sempre ignoraram. Ele vai um pouco além de Simon Johnson (MIT) em sua excelente análise sobre o papel das elites financeiras na crise.
Acemoglu argumentou que o principal problema é que os profissionais de Wall Street adquiriram uma expertise tal que para resolver o problema que eles mesmos criaram é preciso contratá-los! Nem FMI, tampouco o Banco Mundial escaparam deste dilema, pois não detêm essa expertise. Para resolver tal problema no longo prazo, crê que é importante uma coordenação internacional – assim como Bhagwati (Columbia), que estava presente – para regular preventivamente falhas regulatórias. Além disso, esta equipe deveria receber salários competitivos. Afinal, por que os financiers gostariam de se auto-regularem? Segundo Acemoglu não há incentivo algum para isso… Esse é o desafio que temos à frente…
3) Uma aula sobre o sistema de saneamento e gestão de águas do Estado de São Paulo por Dilma Pena.
2011: Lula no Banco Mundial?
maio 15th, 2009 § 2 Comentários
David Rothkpof, do sítio Foreign Policy (www.foreignpolicy.com), publicou um artigo ontem cogitando a possibilidade de Lula virar presidente do Banco Mundial. Segundo ele, o governo norte-americo estaria disposto a colocar um não-norte-americano no posto. Brasil e Índia seriam os candidatos naturais para isso.
O economista indiadno Monmohan Singh seria um forte candito, segundo artigo. Porém, já tem emprego: o de Primeiro Ministro. Restaria Lula para levar o seu blá-blá-blá para o resto do mundo, sobretudo África.
Recentemente FHC foi sondado para tornar-se presidente do BID. Mas recusou. Agora, vem esta especulação sobre Lula no Banco Mundial.
Se é verdade ou não, não sei. O que parece evidente é que Robert Zoellick, um republicano de carteirinha e atual Presidente do Banco Mundial, está fazendo de tudo para se manter no posto. Burocratas do Banco acham que é quase garantido. Alguns Democratas acham bastante improvável. Mas no final das contas, parece que ex-presidentes brasileiros – como Lula será logo – são bem cotatos no cenário internacional.
PS: É preciso muita criatividade para imaginar Lula em um cargo que requer considerável conhecimento técnico como o de Presidente do Banco Mundial…
Ponto rápido sobre a Reforma Política
maio 12th, 2009 § 2 Comentários
Suponhamos que Cláudio Couto, na sua coluna de hoje do Valor (Download Couto_Maio2009), esteja correto. Assim como ele, muitos dos bons cientistas políticos brasileiros defendem o sistema de lista fechada – só vota no partido para eleições proporcionais (vereador, deputados) e não no candidato. Há várias argumentos a favor e evidências de que poderia ser bom para o país.
Entretanto, creio que há um ponto pouco discutido neste debate: como garantir com que os incentivos dentro da estrutura partidária favoreça a competição entre correligionários e o aparecimento de novas lideranças por meio de regras claras e respeitadas por todos? Não há evidência em nenhum partido de que isso ocorra atualmente – muito pelo contrário. Iniciar um sistema de lista fechada sem resolver tal dilema pode ser arriscado.
A "realidade" vista por mais lentes
maio 12th, 2009 § 1 Comentário
Energia renovável e o uso mais eficiente de recursos energéticos encabeçam a pauta não só da agenda desenvolvimentista, liderada por intelectuais, políticos e organizações multilaterais, mas também de grandes promessas de negócio para o futuro. Mas como bons capitalistas, cientes do valor do dinheiro ao longo do tempo e dos benefícios da inovação, várias empresas já estão apostando neste mercado.
Eu me recordo quando fui visitar a fábrica da Kyocera em Kyoto, Japão, o Diretor de Operações relatou que eles produziam tecnologia para a geração de energia solar há 20 anos. Nunca foi lucrativo, mas o governo sempre subsidiou. Somente a partir de 2008, segundo ele, este ramo de negócio passou a ter equilíbrio entre receita e despesa.
Estou falando tudo isso pois ontem meu amigo Daniel Rego me mostrou um sítio que fiquei impressionado: http://ge.ecomagination.com/smartgrid/?c_id=Huff#/landing_page. É o sítio da GE focado no uso eficiente e sustentável de recursos naturais. O que me deixou mais impressionado não foi o conteúdo, pois como todos vocês tenho certa familiaridade, mas com a tecnologia digital usada: realidade aumentada.
Confiram e imaginem em quantas diferentes formas esta tecnologia pode ser utlizada, seja para negócios ou para sistemas educacionais e de saúde e prestação de serviços públicos em geral.
Com vocês, Mahmoud Ahmadinejad
maio 4th, 2009 § Deixe um comentário
Tive a oportunidade de participar da palestra que o Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez na Universidade de Columbia em 2007. Ele estará no Brasil. Certamente trará com ele bastante gente e polêmica.
Divido aqui as anotações (Download Presidente do Ira_Set2007) que fiz desta apresentação e remeti para alguns amigos na época. Creio que o mundo mudou neste meio-tempo, mas suas idéias continuam bem semelhantes…
Atualização (5 de maio): visita cancelada. Vale a pena checar o blog do Guga Chacra sobre o assunto.
O patrimonialismo de cada dia
maio 3rd, 2009 § Deixe um comentário
Certa vez resolvi tirar férias e preparar meu application para o mestrado. Decidi ir para Chicago. Na primeira semana, já um pouco entediado, fui trabalhar – de graça – no Consulado Brasileiro.
Já na segunda semana, o responsável pelo setor de legalização tirou férias. Eu, como estagiário-voluntário-meio-período passei a responder pelo departamento. É ilustrativo de como é precária a estrutura consular do Itamaraty.
Batia-boca com o Cônsul adjunto todos os dias, pois ele não assinava com prontidão os documentos necessários a atender rapidamente os clientes (cidadãos brasileiros e estrangeiros interessados em mandar investimentos, documentos, etc. para o Brasil). Ele ficava lendo jornais o dia todo. Além disso, gostava de mudar textos-padrão que ele mesmo já havia corrigido. As únicas preocupações que o diplomata em questão tinha era responder a pedidos "importantes", ou melhor, "de cima".
Hoje Fernando Rodrigues publicou um artigo relatando como o "Dr." Agaciel Maia, o defenestrado Diretor Geral do Senado, pediu ao Itamaraty "apoio" para ele e família na viagem turística à Europa. Esse é o tipo de assunto que aquele Cônsul adjunto gostava de tratar e usava toda sua "influência" – já que no Itamaraty a idade é uma das variáveis mais importantes para explicar poder dentro da burocracia diplomática.
Fonte: Blog do Fernando Rodrigues
Neste tipo de "apoio" aos amigos, diplomatas – que possuem gosto por este tipo de atitude (não são todos, naturalmente, e espero que também não seja a maioria) – não somente mandam o motorista da Embaixada buscar e levá-los ao Aeroporto, como também, geralmente, recebem-nos para jantar e/ou outros agrados adicionais. Afinal, sempre é fácil fazer favores com dinheiro público sem a devida transparência… e esperar por favores futuros…
Se por um lado o patrimonialismo é expresso neste tipo de prática – gastar recursos públicos nas férias do Diretor do Senado -, há formas de combater tais práticas. A primeira delas é exigir transparência e prestação de contas adequada. Não só o Senado precisa delas, mas também a caixa preta do Itamaraty.
Política anti-cíclica ao avesso
maio 1st, 2009 § 1 Comentário
Há poucos economistas no Brasil que se debruçam nos dados fiscais do setor público e produzem análises originais e propositivas. José Roberto Afonso lidera tal grupo.
Em recente nota técnica, produzida esta semana, questiona de forma contundente a dita política anti-cíclica que o governo federal brasileiro diz estar promovendo. Além disso, traz uma discussão bem interessante: o papel dos estados e municípios nesta política anti-cíclica e a flagrante contradição no discurso-e-prática do governo federal no que se refere à responsabilidade fiscal.
Suas principais conclusões são:
§ Dada a queda acentuada da arrecadação, o governo federal reagiu à crise de forma diferente dos estados. Enquanto esses reduziram despesas correntes – mesmo com o aumento de despesas de pessoal – de forma a não afetar substancialmente o resultado primário, aquele aumentou despesas correntes – inclusive de pessoal -, reduzindo drasticamente o superávit primário.
§ Enquanto os estados e municípios respeitam a Lei de Responsabilidade Fiscal, garantindo a saúde fiscal da esfera sub-nacional, o governo federal fica livre para colocar em risco o equilíbrio fiscal do país. É uma contradição evidente.
§ A pior consequência disso é que o governo federal não aumentou investimentos, que seria a principal medida anti-cíclica.
Não por acaso, o Governandor de São Paulo José Serra, como mostrado no post anterior, externou preocupações semelhantes.
Não só os estados e municípios precisam se preocupar. Os cidadãos também, pois, afinal, são os que sempre pagam a conta por políticas desastradas e desastrosas.