Que Época?!

junho 1st, 2009 § 2 Comentários

Em sua última edição, a Revista Época lançou uma matéria intitulada “A Disneylândia de Aécio Neves“, referindo-se às obras do novo Cidade Administrativa do governo mineiro. O título dita o tom da reportagem, como também o pobreza de seus argumentos.

A Cidade Administrativa é um projeto da primeira gestão do governador mineiro, quando ainda queria viabilizá-lo por meio de uma parceria público-privada (PPP). Portanto, consta no planejamento estadual há algum tempo. A sociedade mineira já discutiu e aprovou o projeto. Não caiu de pára-quedas. Além disso, para viabilizar um investimento desse montante, foi preciso primeiro arrumar as contas do estado e promover a melhoria gerencial (Choque de Gestão).

Agora, que o projeto está em execução, com orçamento disponível e dentro do cronograma, temos que escutar argumentos simplistas como esse. O exemplo da execução avançada do projeto é um bom sinal, ao contrário do que acontece com o PAC – com seus vexaminosos 3% de execução. A má execução de projetos públicos tem dois nomes: custo de oportunidade (para a sociedade) e incapacidade executiva (do governo).

Se o jornalista queria fazer uma matéria boa, perdeu a oportunidade. Talvez poderia dizer o quanto este projeto está relacionado ao “Choque de Gestão” – já que é uma obra-síntese dele. Ou então, poderia analisar por que a obra custará R$1,2 bilhão ao invés dos R$500 milhões iniciais (de quando é a previsão?).

Se quer apreciar a arquitetura do projeto mineiro, que aprecie. Se quer investigar e criticá-lo, que o faça também. É um bem público. Mas usar argumentos infantis em uma revista de circulação nacional, parece mesmo pegadinha da Disneylândia…

 

§ 2 Responses to Que Época?!

  • alan disse:

    porra humbertao…tuh tah parecendo torcedor de futebol..

    se fosse o lulala que tivesse torrado 1.2 bilhoes num monumento a burocracia voce seria menos doce, nao?

    concordo que o Aecio pode fazer isso pq enxugou..mas e ai? eh a forma otima de torrarem 1.2 bi? isso parece agente de volta aos anos 70 achando que contruir predios bonitinhos adiantam alguma coisa…

    serio…quer unifcar a burocra…unifique..agora….dah para fazer isso sem contratar o niemeyer….

    a reportagem eh ironica….e esse tipo de reportagem tambem tem seu papel…parece ateh o Lula reclamando que a imprensa soh foca no lado ruim…

    eu acho que eles foram ateh legais..citaram economia com motoboys..hahahaha

    • Hehehe!

      1) Eu, por princípio, não creio que prédios públicos sejam monumentais. Acho desnecessário.

      2) Se tivesse que escolher algum tipo de obra, escolheria alguma uma obra que simbolizasse futuro e não passado (Niemeyer). Certamente, alguma coisa que primasse para sustantabilidade ambiental.

      3) O problema é que o artigo é sensacionalista e peca pelo método e fraqueza de argumentos. Não acha que precisamos de uma imprensa que discuta as coisas com mérito não? Eu creio que a imprensa tem um papel fundamental para o desenvolvimento da democracia. Argumentos tolos afetam sua credibilidade e seu papel. Ironia é perfeita para cronistas, não para jornalistas… estou errado?

      4) A eficiência na execução de obras públicas no Brasil é lamentável. O Governo de Minas tem muito a contar neste quesito. Em comparação com os governos nacional e subnacionais, é eficiente. No artigo, isso parece ser negativo.

      Abraçào,

      H.

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