PAC ou PAGC?
julho 27th, 2009 § Deixe um comentário
O PAC tá virando PAGC: Plano de Aceleração dos Gastos Correntes. Em recente nota, José Roberto Afonso analisa dados do SIAFI e mostra que entre 2003/08 gastos de pessoal aumentaram 5,5%, Outras Despesas Corretnes 16,9% e Investimentos 0,4%.
O Ministro Paulo Bernardo já saiu na defensiva argumentando que não haverá “herança maldita” na área fiscal. Propôs aumentar o superávit primário para este ano. Uma defesa apropriada em momento necessário. Já a implementação do PAC, coordenado pela Casa Civil, ainda está patinando. A precariedade de planejamento agora não se explicita apenas pela baixa execução, mas também pelo aumento absurdo do preço dos projetos.
Tiete
julho 20th, 2009 § Deixe um comentário
Um dos maiores desafios em politicas publicas e concebe-las e implementas de maneira integrada. Nem sempre Ministerios e/ou Secretarias se entendem para fazer as coisas acontecerem de forma sincronizada. Ha problemas politicos, mas tambem tecnicos e instituicionais. No final das contas, a cooperacao entre pessoas do governo e fundamental.
Esse cenario nos diz duas coisas:
1) Precisamos criar e reforcar mecanismos institucionais que favorecam a coordenacao inter-departamental, sem depender do humor e vontade individuais.
2) E preciso reconhecer o merito das iniciativas integradas que dao certo.
Hoje, ao meio dia, sera lancado um projeto fundamental para o estado de Sao Paulo. Sera uma especie de parque linear do Tiete. E um projeto ambiental, que recupera a mata ciliar do rio; urbanistico, pois da uma cara verde ao cenario cinza da zona leste paulistana; e social, pois preve a instalacao de ciclovia e area de recreacao. Alem disso, quando implementado, certamente requera um apoio da policia para fazer a seguranca da area.
Otima iniciativa.
PS: Sem acento no computador…
Já virou "herança maldita"…
julho 20th, 2009 § Deixe um comentário
Se teve um tema que já falei neste blog foi sobre os riscos atrelados à política fiscal populista (des)coordenada por Mantega. Agora é tema que recheia os principais jornais. Até os analistas de mercado, que passaram um tempo sem preocupar com o tema (no Brasil, mas não nos EUA), já começaram a se pronunciar. Alguns analistas já passaram a dizer que está será a “herança maldita”de Lula.
Nelson Barbosa, Secretário de Política Econômica, deu uma entrevista ao Globo dizendo que os críticos não estariam entendendo o novo papel do Estado diante da crise. Não sei se ele compreendeu bem o que é a crise, qual é o papel do estado, os riscos do aumento crescente de despesas correntes e como o Brasil pode tirar vantagens internacionais da crise. Pelo jeito, a resposta, com tom de impáfia, é sempre a mesma: a volta aos anos 70.
Detalhe1 : a conta foi paga nos anos 80 e 90…. com muito sacrifício.
Detalhes 2: vivemos outros tempos… E vai explicar para os russos…
Coração Vagabundo
julho 19th, 2009 § Deixe um comentário
Somos desencorajados, pelos manuais de desenvolvimento de carreira, a nos meter em atividades sem relação como que queremos no médio e longo prazo. Seguir tal conselho à risca me parece meio chato. Uma dos trabalhos mais intensos e gratificantes que fiz foi parte de uma exceção: produzir o curta-metragem “De Morango” dirigido pelo então colega de sala, e grande amigo, Fernando Andrade.
Esta semana Fernando lança o seu primeiro longa-metragem nos cinemas, “Coração Vagabundo”. Já assisti a uma versão preliminar do filme. Recomendo.
Este é o primeiro longa-metragem de vários que virão do fundador da recém criada Spray. Sucesso, Fê!
De volta para casa…
julho 16th, 2009 § Deixe um comentário
Passei duas semanas em Ruanda. Rápidas impressões:
1) A primeira impressão, preconceituosa, foi me assustar de ver um país extremamente limpo, organizado e seguro. A limpeza é um orgulho nacional. Uma vez por mês o comércio é fechado e as pessoas vão às ruas para limpar a cidade. Sacos plásticos foram proibidos. Os ruandeses são organizados, em compação com os países da região. Mas mesmo assim, a noção de tempo é outra. Tudo demora mais do que estou acostumado. Não comumente se vê três pessoas fazendo o trabalho de uma. A mão-de-obra é barata e pouco qualificada. Entretanto, não se vê pessoas nas ruas pedindo dinheiro ou violência com motivação econômica.
2) Parte desta ordem está inserida em um contexto de alto controle social. O governo controla todas as esquinas do país. Guardas com escopetas circulam com naturalidade pelos mais diversos ambientes. Criticar o governo abertamente não é prática comum – talvez, não recomendável. A ordem é garantida e, de certa forma, temida.
3) Após o trauma do genocídio, o país caminha para a integração entre as diferentes etinias. É um país que se matou e, agora, vítimas e algozes têm que trabalhar juntos. O Ministro de Esportes definiu, em um encontro, que a grande diferença entre o genocídio de Ruanda e o holocausto é que, depois de encerrado, os judeus foram deslocados para Israel, enquanto em Ruanda não houve outra alternativa a não ser hutus e tutsis olharem para frente e caminharem juntos. O documentário “As we forgive” relata quatro histórias de esforços reconciliatórios pós-conflito.
4) O governo tem uma estratégica clara: torna-se o centro logístico do leste africano. Como um país sem acesso ao oceano, Ruanda sofre muito pelo alto custos de transportes. A solução é diminuí-lo e criar oportunidades a partir disso. O governo pretende promover a construção de infraestrutura de transportes que integre os paises vizinhos, idéia compartilhada pela Comunidade dos Países do Leste Africano. O problema ainda é saber com que dinheiro.
5) É impressionante o número de reformas que ocorrem no governo ao mesmo tempo. Não há memória do que está sendo feito, de tanto coisa ao mesmo tempo e pela precariedade dos sistemas de informação existentes. Organizações bi e multilaterais são os grande financiadores das reformas, que geralmente ocorrem de maneira relativamente descoordenada. Metade do orçamento do país vem de doações. Tais organizações gostam de Ruanda, pois o governo implementa mudanças. Se serão sustentáveis ou se são as reais prioridades do país, aí já é outra história…
6) A comida deixa a desejar…
15 anos de Real
julho 1st, 2009 § Deixe um comentário
Somos um povo cetico. De poucos idolos nacionais – sobretudo se descontarmos a categoria esportiva. Quando temos algum idolo, ainda fazemos mais piadas do que elogios, falamos mais das coisas ruins do que das boas. Dos eventos historicos, lembramos mais os desastres que as grandes conquistas.
Hoje faz 15 anos do Plano Real. O Brasil, como nacao, deve se lembrar deste momento com o orgulho que merece. Ha quinze anos, tudo era diferente no ambito da administracao publica, das empresas e de nossas casas. Havia menos planejamento, confianca e previsibilidade. Ha 15 anos demos um passo importante em nossa historia recente. Parabens a aqueles que lideraram e aos que mantiveram esta conquista. Parabens ao povo brasileiro que fez com que um plano virasse realidade.