Problemas de execução

agosto 31st, 2009 § Deixe um comentário

Eu gostei da idéia do Blog do Planalto. Cópia de outros presidentes, como Obama, é uma iniciativa positiva, pois, em princípio, aumenta os meios do Presidente se comunicar com o cidadão. Mesmo que anunciado há um bom tempo, o blog, lançado hoje, possui os mesmos problemas do governo como um todo: falhas da execução de projetos anunciados.

O inesperado parceiro de Uribe

agosto 30th, 2009 § Deixe um comentário

Mesmo sem querer, Chavez tornou-se um dos principais parceiros de Uribe na condução da política doméstica. De tudo que Chavez fala, a maioria dos colombianos discorda. Sem mesmo avaliar bem o que Uribe tem feito – especialmente sobre as “bases norte-americanas” no país e o terceiro mandat0 – a população o apoia. Recentemente, isso se deve mais a uma reação imediata a Chavez do que a apoio fiel às políticas conservadoras de Uribe.

Fernando de Noronha: o que esperar a mais?

agosto 18th, 2009 § Deixe um comentário

Paraíso pode ter diferentes endereços e julgados de formas distintas. Mas não há como duvidar que Fernando de Noronha se encaixa em tal rótulo.

Em uma passagem turística pela ilha pernambucana a pergunta que ficou foi: como fazer de Fernando de Noronha (FN) um lugar de turismo de alto padrão internacional? Algumas observações:

1) FN possui as condições idéias para se promover uma política de turismo sistêmica e controlada. É pequena; possui uma população de aproximadamente 2 mil pessoas; há controle total sobre entrada e saída de pessoas; esbanja potencial turístico; é relativamente famosa internacionalmente; atrai somente  turistas de alto poder aquisitivo; e possui um potencial imenso de arrecadar recursos para promover melhorias no seu desenvolvimento sustentável e tornar-se referência mundial.

2) Diversas iniciativas já foram desenvolvidas na ilha. Do lado público o governo federal investiu recursos com estrada, aeroporto, sinalização e, sobretudo, na política de controle e educação ambiental. O IBAMA faz um trabalho bastante interessante na ilha. Do lado privado, há pousadas, empresas de turismo que realmente prezam a natureza e pretendem manter FN conservada. Falta um plano mais abrangente e estratégico.

3) A ocupação da terra é controlada. O turista paga uma tarifa de permanência na ilha que aumenta exponencialmente. Duvida-se que todo recurso arrecado pelo Governo de Pernambuco seja revertido para a ilha. Todo imóvel é um concessão que pode ser confiscada em caso de guerra (creio que o risco é bem pequeno). Os imóveis não pagam impostos praticamente. Uma pousada de luxo, por exemplo, paga ao redor de R$240 reais por ano! Entretanto, não é claro como se consegue uma concessão, dado que não há um mercado claramente estabelecido. Há fartas oportunidades para favoritismos.

Por outro lado, construções abandonadas em pontos paradisíacos representam um alto custo de oportunidade para o turista – que poderia usufruir mais e, talvez, melhores serviços – quanto para o governo – que poderia arrecadar mais impostos. Além disso, lugares abandonados dão a impressão de depreciação do lugar, o que não combina para um destino de turismo de alto nível.

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Foto: HL.

4) FN já atrai turistas com alto padrão de consumo. Desenvolver este mercado ainda mais – mantendo um limite de pessoas na ilha e exigindo melhores práticas de manutenção e controle do meio ambiente – é possível. Porém, não poderia ser feito se o atual sistema de concessão de ocupação e uso da terra seja gerido de maneira discricionária e sem favorecer a competição entre potenciais investidores. Uma alternativa seria a realização de leilões.

5) Uma possível estratégia para FN seria tornar-se uma “ilha de lua-de-mel”, como Bora-Bora e Maldivas. A propensão de gasto do casal em lua-de-mel é altíssima. Mesmo hoje, sem uma estratégica clara por parte do governo, parece que é um local bastante escolhido por casais.

6) Claro que isso não seria suficiente sem investimentos em água (é um dos maiores problemas da ilha), saneamento, energia e transportes. FN é movida a óleo diesel. Há um gerador de energia eólica que está estragado há seis meses devido a um raio. Mesmo assim, este gerador era responsável por 7% da energia da ilha. Há possibilidade plena de expandir a geração de energia eólica. Esta é, na verdade, uma fonte energética que tem um grande potencial em todo litoral nordeste devido à abundância de vento, ou “brisa” como os baianos preferem.

O aeroporto necessita de melhor a instalações. A conservação das estradas de terra na ilha é necessária. O transporte à bug não é nada engraçado, além de ser perigoso. Há apenas um posto na ilha. O litro da gasolina custa R$3,60. As instalações do posto são lamentáveis.

7) Há a necessidade de se treinar a população local para lidar com o turismo de maneira profissionalizada. Estudo de idiomas estrangeiros e treinamento técnico (hotelaria, culinária, etc.) são demandas presentes. Não raro, é necessário trazer funcionários do Sudeste do país para cumprir tais lacunas.

8 ) Geralmente, governos no Brasil tentam resolver políticas de turismo colocando placas por todo o lugar e produzindo material de divulgação. FN está relativamente bem-servida nesses termos. Para que FN, ou qualquer outro lugar, torne-se uma referência internacional em turismo de alto nível, a estratégica da política pública importa. Seu debate também.

No Brasil, estamos acostumados a ver a riqueza e a pobreza andarem de mãos dadas. Absurdamente, acostumados a viver em nossa contradição. FN poderia ser um modelo de criar um centro turístico internacional sem tais problemas. Quem sabe, caso desse certo, essa moda não espalharia para o continente. Mas ai, a complexidade é de outra dimensão…

Um passada pela Colômbia

agosto 7th, 2009 § 1 Comentário

Conhecemos pessoas e, de maneira geral,  imaginamos como seria o lugar donde vêm. Passar poucos dias na Colômbia foi suficiente para entender melhor meus amigos que lá nasceram e suas histórias. De uma maneira singular, deu para compreender – em cores e movimentos – o atual contexto político latino-americano e sinais de nosso passado.

Recentemente a Colômbia apresentou bons resultados macroeconômicos e sinais de melhora na briga contra o tráfico de drogas. Por isso, Uribe é ovacionado. Recentemente, acometido pela vaidade descontrolada, vem trabalhando nos bastidores para que seja aprovado o seu terceiro mandato. O principal oponente de Chavez na região dá sinais que pode seguir caminho mal traçado pelo opositor… um para direita, outro para a esquerda… e a democracia para o retrocesso…

De qualquer maneira, o povo colombiano parece viver um tipo de renascença. A confiança no país aumentou, há orgulho de se carregar as cores da bandeira nos pulsos jovens. Investimentos domésticos e estrangeiros seguiram o mesmo humor. Há novas construções espalhadas pela cidade.

Mas nem tudo é festa. A segurança de muitos é baseada em uma forte militarização do país. Parece que ainda vivemos nos tempos de Santander, quem diria que, assim como estampado no prédio das Forças Armadas do país, “a mesma arma que nos deu a independência será aquela que nos dará a liberdade”. O contexto é outro. A arma de hoje é financiada pelo governo norte-americano. Semana passada estava discutindo com meus amigos do governo norte-americano sobre as bases militares de seu país que deverão ser implantadas na Colômbia. Cheguei ao Brasil e foi o que vi em todos os jornais. Lula e Bachelet, presidente do Chile, foram os primeiros a discordarem. Estão certos.

Por outro lado, indícios de que governos da Venezuela e Equador têm provido armas às FARC são claros. Recentemente o governo da Suécia identificou que armas produzidas por empresas escandinavas foram parar em mãos de pessoas da FARC. Detalhe: só havia vendido à Venezuela.  Lula e Bachelet pouco falam sobre isso.

A América Latina continua, em certa medida, contraditória, católica e politizada – militarizada também. Colômbia tem sido uma boa fotografia dessa época. Mas não basta somente criticar os Estados Unidos. Há muito que se resolver internamente na região. Mãos à obra?

1 IMG_5006Foto: HL.

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