Humberto Laudares

Economia & Política. Às vezes, outras coisas também

Month: setembro, 2009

Paciência tem limite

Paciência tem limite. No artigo de hoje publicado pelo O Estado de São Paulo, José Roberto Afonso parece ter perdido a sua, mas manteve a classe. Creio que é, assim como vários outros economistas de respeito já o fizeram, a expressão do sentimento de frustração de oportunidades perdidas pelo Brasil recentemente, misturado com a sensação que vivemos um governo “do espetáculo” à Guy Debord e estrategicamente paternalista à Vargas. Vale a pena conferir.

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PS (10/09/09): José Roberto Afonso fez a ressalva que não perdeu a paciência, mas sim manteve o humor. Creio que a minha falta de paciência é que suprimiu o meu senso de humor! :-)

O pré-sal é nosso!

Parece que estamos revivendo a campanha do “Petróleo é nosso”. Os líderes são outros. Os tempos também. O discurso de 7 de setembro ganhou desde o ano passado uma nova palavra: “pré-sal”.

Lula_discurso7 de setembro.pdf

Discurso do Presidente Lula hoje. Elaborado por HL.

O governo passou a usar um projeto de longo prazo – que às vezes soa como sonho – como sua principal bandeira política.

Concordo que é preciso regular bem políticas energéticas, sobretudo para reverter os benefícios econômicos de descobertas de recursos minerais para toda a sociedade. Há muitos exemplos internacionais que nos fazem crer que esta seria uma medida adequada.

Porém, tentar passar às pressas regulações sem uma análise detalhada e amplamente discutida dos custos e benefícios que o Brasil teria com a exploração do pré-sal não transmite aos cidadãos credibilidade e confiança nas propostas encaminhadas ao Legislativo. Usar a propagandas governamentais e o próprio discurso do 7 de setembro para comover o brasileiro sobre a causa do pré-sal parece um pouco estranho também. Por que a pressa? Não havia mais pressa em executar os investimentos já previstos no orçamento e no PAC – e que não serão realizados? Usar o pré-sal para justificar compras de equipamentos militares da França, como fez Celso Amorim por exemplo, não cai mal?

Que o pré-sal é nosso, sabemos. Ótimo para o país. Mas o Brasil que devemos celebrar, no dia de nossa Independência, é uma democracia mais madura, responsável e menos populista.  A pergunta que fica é: aprendemos com o passado?

Feliz dia da Independência, Brasil.

Desabafo de Krugman

Texto de Krugman, que soa como um desabafo, na revista do NYT desta semana merece ser lido, sobretudo pelos economistas.

Atualização 11/09/09: Resposta de John Cochrane, da Universidade de Chicago, a Krugman.

O blog bastardo

O blog do Planalto já tem um clone. O único objetivo deste filho bastardo é: prover um lugar em que internautas podem fazer comentários sobre o conteúdo colocado no blog presidencial.

Este é somente um exemplo de como a tecnologia mudou a forma do governo se relacionar com a sociedade e até onde ele precisa, ou não, ir. O governo não necessita – nem tem condições de – atender todas as expectativas dos cidadãos. Mas os próprios cidadãos podem atender algumas de suas expectativas usando tecnologias disponíveis. O caso do blog bastardo é um exemplo disso. Outro exemplo é como sites usam informações oficiais, exibidas de maneira truncada e quase indecifrável, para produzir conteúdos que os cidadãos compreendem. No Brasil, creio que o caso mais famoso é a ONG Transparência Brasil.

Não adianta o governo ficar bravo. Este tipo de sentimento – para este caso em específico – é inutil em nossos tempos. A transparência criou novas faces e novos meios. Ainda bem.

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