De fato, nada de Prévias…
outubro 17th, 2009 § Deixe um comentário
Já havia expressado neste blog a possibilidade de se fazer das prévias partidárias uma oportunidade de melhoria institucional dos partidos políticos. Sobretudo no caso do PSDB, a bandeiras das prévias foi levantada com maior vigor pelo governador mineiro. Não demorou muito para baixá-la.
O fato é que as prévias do partido está no ar, sim, no portal do PSDB. Campanha de fato, creio que ninguém viu. Aparentemente, apenas 1% dos filiados votaram pelo portal. O que nos leva a crer que esses filiados apenas irão ratificar o que é decidido em gabinete.
No caso do PT, que tem uma melhor organização entre a base e elite de comando, o partido nem voz teve este ano. Só fez eco aos mandos de Lula – o que não é desprezível dada sua grande aprovação popular. Para os demais partidos, esta é uma discussão bastante abstrata.
Melhorar o sistema de governança partidária é essencial para aprimorarmos nossa democracia. De oportunismos, estamos fartos.
Parabéns Alfenas!
outubro 15th, 2009 § 2 Comentários
Hoje, Alfenas, a grande metrópole sul-mineira, comemora seus 140 anos.
Cada um tem sua cidade maravilhosa. Embora não seja cotada para ser sede olímpica, Alfenas é a minha! Parabéns!
Foto: HL.
Competição bem-vinda e Obama
outubro 9th, 2009 § 2 Comentários
1) Inaugura-se hoje no mercado editorial brasileiro o Brasil Econômico, jornal veiculado na mídia impresa e digital que irá disputar mercado com o Valor Econômico e a decrépita Gazeta Mercantil.
É uma ótima notícia, especialmetne para consumidores de notícia à distância, como eu. O mercado de mídia para negócios, economia e política precisa se revigorar. A entrada do Valor Econômico, em meados de 2000, mexeu com este segmento de mercado, antes restrito à Gazeta. Hoje reina sozinho. O jornal ganhou credibilidade e conteúdo. Porém, o website deixa a desejar.
Nada mais bem-vindo do que a velha concorrência. Todos ganhamos.
2) O Prêmio Nobel da Paz concedido a Obama é ridículo. Gosto e admiro ele. Creio que diplomacia está acima de unilateralismo. Mas um prêmio deste porte deveria ser entregue a pessoas que já atingiram resultados concretos e significativos na esfera internacional. Obama tem ainda muito trabalho a frente. Reconhecer antes de fazer não me parece uma boa atitude.
Quem será o futuro presidente do Banco Central?
outubro 8th, 2009 § 1 Comentário
Meirelles está de partida. Os relatórios políticos dos bancos de investimento estão dando um peso político maior ao Presidente do Banco Central do que ele tem de fato: em votos. Alguns acham que ele empresta “credibilidade” para a Dilma, por exemplo. O eleitor médio brasileiro não entende muito de mercado financeiro. Mas entende de crises, inflação e crescimento econômico, pois sente na pele. Se Meirelles começar a dizer que foi o grande responsável por tudo isso, onde estaria o papel de Lula e sua gerente favorita? Certamente este discurso funcionaria em seu estado natal, Góias, mas não na esfera nacional. Por outro lado, empresta credibilidade para um público mais esclarecido – o que infelizmente é minoria em nosso país tão desigual – e para financiadores de campanha.
Sabemos que Meirelles fez um bom trabalho. Parabéns. A pergunta que faço é quem irá substituir Meirelles a partir de 2011, sob o novo mandato presidencial? Eu tenho uma sugestão que ultrapassa as fronteiras partidárias PT-PSDB: Fábio Barbosa.

Diziam os jornais na época que quando Lula assumiu a Presidente ele o convidou para comandar o Banco Central. Era presidente do Banco ABN-Real, o qual foi vendido para o Santander durante a crise. Fábio Barbosa não somente teve a maestria de virar presidente do Santader (caso raro do presidente da organização comprada subir ao posto da nova empresa), como também fazer esta semana a maior operação de abertura de capital da história da Bovespa: 14 bilhões de reais.
Durante a crise, enfrentou alguns momentos de estresse com a mídia e com o próprio governo, que queria que os bancos privados abaixassem o spread bancário. Com presidente da Febraban, Barbosa não somente explicou o porquê do problema, como também fez sugestões concretas de como diminuir o risco sistêmico para que a redução do spread ocorresse de maneira sustantável – e não oportunista, como os banco públicos fizeram seguindo ordens de cima.
Aparte do mundo bancário, o Barbosa levou a causa do meio-ambiente como estratégia de responsabilidade social do Banco ABN-Real e de mudança comportamental. Ficou famoso por isso.
Sucesso empresarial a frente de um dos maiores bancos em operação no Brasil e reconhecido senso ético parece ser uma combinação perfeita para um presidente do Banco Central com a credibilidade recomendada. Portanto, Fábio Barbosa seria um ótimo nome.
Além disso, creio que não deixaria nenhum governo em março de 2014 para concorrer a qualquer cargo eletivo…
Olhando a crise nos olhos
outubro 6th, 2009 § Deixe um comentário
Tive o prazer de ter aula com Guillermo Calvo, grande economista argentino. Desde o início da crise financeira ele advoga a formação de um emprestador de última instância em nível mundial. Somente assim, haveria a possibilidade de se enfrentar a crise “olhando nos seus olhos”. Essa foi a expressão que usou quando veio fazer um apresentação no Banco Mundial, a meu convite, há duas semanas.
A idéia básica de Calvo é que não se pode resolver uma crise financeira a partir de uma solução que não seja relacionado ao sistema financeiro. Política fiscal, por exemplo, não poderia ser a melhor resposta. O problema da falta de liquidez no mercado internacional será resolvido quando houver uma espécie de “Banco Central Mundial”, segundo ele, pois seria uma instituição capaz de injetar recursos em nível global imediatamente.

No final das contas, a idéia que perpassa o argumento de Calvo é resgatar novamente o busto de Keynes do porão do FMI, o que Strauss-Kahn tem se esforçado. Jacob Frankel, ex-Presidente do Banco Central israelense, contou certa vez na Universidade Columbia que quando Calvo juntou-se à sua equipe no FMI eles trouxeram, de fato, o busto de Keynes do subsolo para o departamento de pesquisa do Fundo. O FMI parece que está seguindo esta política. Um “Banco Central Mundial” está para ser criado.
Daron Acemoglu, do MIT, quem estava fazendo um treinamento com funcionários do Fundo há alguns meses sugeriu: tragam as melhores pessoas, paguem-nas com salários de banco de investimento, e faça uma instituição deste tipo (não clara em sua fala) funcionar. O próprio Calvo evita discutir com uma instituição nesses moldes deveria ou poderia ser operacionalizada.
Bem, o desafio agora é com os gestores públicos!
Rio: reformas à vista!
outubro 2nd, 2009 § 1 Comentário
O Brasil comemora. Rio 2016! Há alguns que ainda crêem que, já que o Brasil não é desenvolvido o suficiente, não deveria ceder as olimpíadas. Com palavras duras, desprezam esta decisão que poderá trazer impactos bastante positivos para a cidade e para o país. Claro, há um árduo caminho – como toda conquista merecida. Portanto, sugiro reunir os críticos – muitos deles intelectualizados, porém pessimistas – para ajudar a construir uma agenda de mudança, uma agenda de reformas. Já que apresentamos a proposta, ganhamos, agora é hora de trabalhar. Só o charme brasileiro não é suficiente.
O país tem três desafios cruciais a frente:
1) Coordenar os esforços de implementação do projeto apresentado ao Comitê Olímpico Internacional a tempo e dentro do orçamento apresentado de aproximadamente 14 bilhões de dólares. Essa atividade envolverá inúmeros participantes e precisa ser o mais efetiva possível. Esta tarefa não é rotineira, haja vista o mau desempenho do PAC.
2) Preparar a cidade para as Olimpíadas, um velho sonho carioca, exige melhorar o sistema de transportes, segurança e falta de acomodação. Para receber investimentos e turistas, precisamos também de pessoas melhor educadas e saudáveis. Preparar a cidade significa promover um salto qualitativo nos serviços públicos de maneira geral.
3) Os governos estadual e municipal não somente precisarão melhorar suas capacidades gerenciais, como também mostrar que transparência funciona para combater corrupção. O Rio é um estado afamado pela corrupção. Esta não é somente uma chance de mostrar à sociedade que mudanças são possíveis, como também é uma ótima oportunidade política para o governador – que deve ser reeleito – e o prefeito em torná-las realidade.
Fonte: youtube.com. Quem já viu, vale a pena ver novamente!
Naturalmente, não estamos pitando um cenário cor-de-rosa. A história e o presente nos apontam desafios. Estamos acostumados a fazer reformas oportunistas, a exemplo do Rio Eco 1992 e Jogos Pan-Americanos. Pinta-se a parede, mas se deixa a estrutura da casa capenga. Quando a eleição passa, a vizinhança toda está desbotada. Não seria irrealista achar que as Olimpíadas será uma versão ampliada da mesma história. Entretanto, creio que os governos federal, estadual e municipal poderiam ter a consciência que as Olimpíadas significam algo mais do que ser cidade-sede. É um reconhecimento internacional do potencial do Brasil. Não fazer a tarefa de casa significa deixarmos de crescermos como nação no cenário itnernacional. Perder esta oportunidade, seria afetar negativamente este processo.
O que facilitaria promover um grande processo reformista na cidade do Rio de Janeiro até 2016? Uma significava pressão externa –as Olimpíadas – que conta com o apoio incondicional dos governos, sociedade e setor privado. Isso é que dá legitimidade às reformas. Porém, se mal conduzidas, pode abalar ainda mais a credibilidade das instituições envolvidas.
Como brasileiros, creio que podemos agir com um otimismo propositito, que privilegia a disposção em contribuir com a solução de problemas que vão além de uma simples Olimpiadas, mas também que exige o uso eficiente dos recursos públicos utilizados, transparência e prestação de contas. Podemos enxergar o nosso país como uma oportunidade de futuro e não como um passado de desacertos. A reforma comportamental de cada um envolvido neste processo é parte inerente do desafio do desenvolvimento brasileiro como nação. De qualquer fora, os cidadãos esperamos menos discursos oportunistas e mais acertos reformistas. ~
Contem conosco, mas estamos de olhos bem abertos!