Crises financeiras, conseqüências e ciência

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Passei o final de ano entre Chicago e Flórida. O clima
de apreensão é comum em ambas as cidades, devido à crise econômica. No litoral
da Flórida, a situação é um pouco pior, pois a economia é bastante dependente
do turismo e do mercado imobiliário, que despencaram no último ano. Uma
pergunta semelhante que todos se fazem, neste momento, é “o que esperar
 pela frente?”.

É possível identificar riscos e oportunidades à frente
compreendendo melhor conseqüências de crises ocorridas em diferentes países. A
equipe de Obama sabe disso, a de Lula – com exceção do Banco Central – tenho
minhas dúvidas.

Os economistas Carmen Reinhart, da Universidade de
Maryland, e Kenneth Rogoff, da Universidade de Harvard, apresentaram no início
de janeiro um artigo que cobre de maneira bastante abrangente as conseqüências de
crises financeiras em diversos países. As principais conclusões do artigo “The
Aftermath of Financial Crises”, que certamente comporá um dos capítulos do
livro que estão escrevendo sobre crises financeiras, são:

·        
Colapso do preço de ativos (Mercado imobiliário com
uma queda média de 35% em 6 anos; preço de ações apresentado queda de 55% ao
longo de 3 anos e meio);

·        
Crise bancária está associada com um conseqüente
declínio de produto (PIB cai cerca de 9%) e emprego (aumento de 7% na taxa de
desemprego no pior período da crise).

·        
O valor real do débito governamental tende a explodir,
aumentando em média 86%. A maior causa dos débitos não é devido à aumento de
despesas – embora ocorra -, mas à redução de receita, devido à diminuição da
atividade econômica e, portanto, arrecadação de impostos.

No caso dos Estados Unidos, Obama já declarou que está
ciente do cenário à frente. As promessas de campanha, especialmente programas
de previdência social e saúde pública, terão que ser estudadas com muito
cuidado – e pouco dinheiro. A economia também já apresenta indicadores suficientes
robustos para isso.
 

O Congresso americano já está prevendo um déficit
orçamentário de US$ 1,2 trilhão para o ano fiscal de 2009. O departamento
encarregado da elaboração do orçamento prevê a redução da taxa de desemprego de
6.7% (novembro de 2008) para 9% (final de 2009). Estima-se uma queda da
atividade econômica de 2.2% e da arrecadação de impostos de 6.6% (us% 166 bilhões).
 Mesmo assim, o pacote de estímulo
econômico de US$ 800 bilhões deverá ser implementado ao longo de 2009 e 2010. O custo seria maior se não o fosse. O
grande esforço agora – consenso entre Democratas e Republicados – é gastar bem
tais recursos.

PS: Link do artigo: http://www.economics.harvard.edu/faculty/rogoff/files/Aftermath.pdf


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