Brasil, Lulândia e o país em que não se lê jornais

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A crise financeira chegou ao Brasil há algum
tempo, sendo confirmada pela bancarrota do banco de investimentos Lehman
Brothers. Mesmo assim, alguns indícios na economia mundial anteriores a tal falência
já deveriam exigir cautela da equipe econômica lulista. A própria crise hipotecária
nos países desenvolvidos, iniciada no meio de 2007, já era motivo suficiente
para uma inevitável contração da atividade comercial e financeira entre países
no médio prazo.

O discurso lulista era de que o
Brasil atingiu um patamar nunca antes visto na história: ficou imune a crises
internacionais, mas continuaria recebendo uma vultosa quantia de investimentos estrangeiros
de curto e longo prazo. A famosa “marola” nunca passou de uma contradição em si
mesma.

Agora, o Presidente declara, em
entrevista concedida à revista Piauí, que não lê jornais ou assiste à noticiários. Embora simbólicas, as
sistemáticas declarações irrealistas do Presidente e de seus Ministros da Casa
Civil e Fazenda me atormentam. Parece que estão gerindo um país diferente do
Brasil. Talvez há um Brasil paralelo, que é a Lulândia, composto por meia dúzia
de crentes do mundo rosa-chá discursado por Lula. Creio que a “meia dúzia”
ainda acredita mais nisso que o próprio.
 

É preciso admitir, no entanto, que
Lula – somente ele – se faz entendido pela maioria da população. Não é à toa
que tem cerca de 80% de aprovação. É também importante destacar que o povo, que
majoritariamente não lê jornais, mas assiste a tele-jornais ou ouvem rádio, não quer saber de
crise alguma… até serem atingidos.

Porém o mundo rosa-chá só existe em
discursos de palanque. É demolido quando a economia é totalmente afetada, a
taxa de desemprego aumenta, a de criminalidade sobe, e iniciamos novamente a
velha toada que conhecemos bem…
 Na
Lulândia, é melhor não ser realista, não planejar melhor as respostas para a
crise a tempo e com vigor. O povo não precisa se preparar, as empresas – com
ausência de crédito – também não. O Estado resolve, defenderia componentes do
séquito da Lulândia. Como se apenas falar e editar meia dúzias de medidas
provisórias resolvesse o problema.

Sinceramente, espero que 2009 seja como na
Lulândia. Mas receio que o Brasil, até mesmo aquele que aparece nos jornais
diários, seja esquecido, não pelos discursos inflamados, mas pelas políticas
públicas que deveriam garantir uma superação mais rápida e sustentável da crise
que enfrentaremos este ano.
  

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