Think-tanks: certamente falta no Brasil

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A revista The Economist acabou de mapear a quantidade de think-tanks que cada país ao redor do mundo sedia. A reportagem foi motivada pela coordenação da transição de Obama ser conduzida por John Pedesta, presidente do Center for American Progress, onde tive a oportunidade de assistir ao último debate entre os candidatos com pizza e cerveja à vontade.

O Brasil possui entre 11-100 think-tanks, enquanto Washington, DC, abriga cerca de 350.

ThinkTanks around the worldgif

Fonte: The Economist (13/01/09)

Creio que o importante aqui não é estritamente a quantidade, mas a efetividade dessas instituições no país. Por “efetividade”, entende-se aqui a possibilidade de políticas públicas estudadas e sugeridas por think-tanks sejam implementadas, monitoradas e avaliadas.

Não precisa ser bem informado para saber que qualquer governante no Brasil assume um mandato sem saber o que fará. Pode ser que o candidato tenha uma estratégia, mas dificilmente ela será conectada com políticas públicas específicas. Os planos de governo são formados como uma colcha-de-retalhos a partir da opinião de diversos especialistas ligados ao partido ou ao candidato. Durante a transição, inicia-se a varredura da casa, sendo que se
gasta quase 6 meses de governo (1/8 do tempo de mandato), no mínimo, para se saber o que fará.

É justamente aí que os think-tanks exercem um papel importante: pensar e elaborar políticas públicas com certa periodicidade para grupos políticos ou/e econômicos. Tais instituições não têm foco acadêmico, têm foco prático e executivo. Geralmente tais organizações são compostas por acadêmicos e pessoas com experiência em política pública, e são financiadas por organizações ou indivíduos interessados em seu produto final.

O setor de think-tanks tem espaço para crescer no Brasil e se institucionalizar como legítimo celeiro de políticas públicas para os partidos políticos. O estado do Rio de Janeiro, após tantos anos de governos sofríveis, parece que desenvolveu bons think-thanks como o IETS e o Instituto Casa das Garças.

Mesmo assim, há muito trabalho pela frente… 

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3 comentários sobre “Think-tanks: certamente falta no Brasil

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