O patrimonialismo de cada dia

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Certa vez resolvi tirar férias e preparar meu application para o mestrado. Decidi ir para Chicago. Na primeira semana, já um pouco entediado, fui trabalhar – de graça – no Consulado Brasileiro.

Já na segunda semana, o responsável pelo setor de legalização tirou férias. Eu, como estagiário-voluntário-meio-período passei a responder pelo departamento. É ilustrativo de como é precária a estrutura consular do Itamaraty.

Batia-boca com o Cônsul adjunto todos os dias, pois ele não assinava com prontidão os documentos necessários a atender rapidamente os clientes (cidadãos brasileiros e estrangeiros interessados em mandar investimentos, documentos, etc. para o Brasil). Ele ficava lendo jornais o dia todo. Além disso, gostava de mudar textos-padrão que ele mesmo já havia corrigido. As únicas preocupações que o diplomata em questão tinha era responder a pedidos "importantes", ou melhor, "de cima".

Hoje Fernando Rodrigues publicou um artigo relatando como o "Dr." Agaciel Maia, o defenestrado Diretor Geral do Senado, pediu ao Itamaraty "apoio" para ele e família na viagem turística à Europa. Esse é o tipo de assunto que aquele Cônsul adjunto gostava de tratar e usava toda sua "influência" – já que no Itamaraty a idade é uma das variáveis mais importantes para explicar poder dentro da burocracia diplomática.

Consulado2

Fonte: Blog do Fernando Rodrigues

Neste tipo de "apoio" aos amigos, diplomatas – que possuem gosto por este tipo de atitude (não são todos, naturalmente, e espero que também não seja a maioria) – não somente mandam o motorista da Embaixada buscar e levá-los ao Aeroporto, como também, geralmente, recebem-nos para jantar e/ou outros agrados adicionais. Afinal, sempre é fácil fazer favores com dinheiro público sem a devida transparência… e esperar por favores futuros…

Se por um lado o patrimonialismo é expresso neste tipo de prática – gastar recursos públicos nas férias do Diretor do Senado -, há formas de combater tais práticas. A primeira delas é exigir transparência e prestação de contas adequada. Não só o Senado precisa delas, mas também a caixa preta do Itamaraty.

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