Crises, poder e desenvolvimento

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Passei minha infancia e adolescencia em crise. Na verdade, toda minha geracao que cresceu no Brasil. Crises financeiras, bancarias e politicas. Quando sai do Brasil para estudar, estudei mais crises. Porem os holofotes voltaram-se para o hemisferio norte, o mundo rico. Como estava em Nova Iorque, no meio do furacao fiquei.

A discussao sobre o impacto da crise economica na America Latina nao foi somente tema de minha dissertacao de mestrado, de debate do dia-a-dia, mas tambem do meu trabalho subsequente. Como evitar com que instituicoes publicas se preprarem para gerenciar bens publicos, administrar crises e promover desenvolvimento economico?  Essa e a pergunta que me faco todos os dias para analisar diferentes paises e diferentes contextos.

Jose Roberto Afonso nos recomendou a apresentacao que Jose Serra fez em Washington DC este mes. Gostei. Perpassa de maneira clara por pontos importantes da resposta de minha pergunta diaria. Do ponto de vista tecnico, seus argumentos sao lucidos e alinhados, em geral, com boas discussoes que presenciei, sobretudo em conversas e debates com o Prof. Guillermo Calvo, Universidade de Columbia, Carmem Reinhart, Universidade de Maryland, Ricardo Hausmann, Universidade de Harvard, e Jose Gregorio, Presidente do Banco Central do Chile.

Mas o debate que Serra participou ia alem da esfera economica, falava-se sobre a nova distribuicao de poder entre paises. Certamente, o cenario ja mudou e o G-20 e uma traducao dessa realidade e sentimento. O Brasil saiu bem posicionado em termos economicos e politicos. O carisma do Presidente Lula ajudou. Seria o ponto de partida suficiente?

Nao entendo que haja uma estrategia consistente e arrojada para atacar esses novos desafios. Esta semana o governador de Sao Paulo ja disse que o governo federal nao possui uma estrategia de desenvolvimento. Nao mesmo. O que os governos estaduais – sobretudo Sao Paulo e Minas Gerais – estao fazendo de diferente? Sera que a populacao saberia diferenciar?

A expectativa que o mundo tem sobre o Brasil e maior do que podemos depreender das palavras da maior parte de nossos lideres politicos. O senso de urgencia, por exemplo, e praticamente nulo. O que deviamos fazer – como brasileiros – para atender as nossas expectativas como um dos paises lideres na nova ordem mundial? Que valores a sociedade devera incorporar para lidar com este desafio? Afinal, que tipo de lider queremos para nos guiar em um processo de modernizacao que se faz cada vez mais necessario?

O Brasil so se consolidara como uma dos lideres no cenario global se souber caminhar em aguas bravas de maneira estrategica. Crescimento economico pode ser que governos peguem de carona, mas desenvolvimento economico nao. A concorrencia ja esta dada, e hora de fazermos o dever de casa. So assim, ha a possibilidade de minha geracao – e das outras que seguem – ver um futuro de oportunidades – e nao de crises.

PS: Desculpem-me a falta de acentos.

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