Dilma: o Brasil é maior que você imagina!

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Embora defenda a bandeira do desenvolvimento econômico, Dilma parece confundir um pouco as coisas. Sendo questionada sobre o aparelhamento da máquina administrativa durante o governo Lula, durante entrevista no Jornal da Globo, a candidata do PT usa o exemplo de um Ministro de um país da América Latina que tem família em Miami (EUA) para justificar que é necessário empregar os “amigos patrióticos” no governo. Para ela, há uma relação direta entre a impossibilidade de se desenvolver um país e a não residência da família daquela pessoa no país de origem. Também assume que a politização – aparentemente exagerada – da administração pública é saudável.

Usando o termo empregado por ela, este é um argumento que não tem “precisão econômica”. Eu concordo que os brasileiros devem lutar para o desenvolvimento do país. Porém, seus argumentos não tem pé-nem-cabeça.

Primeiro, o comentário não responde a pergunta do repórter nem transmite uma clara mensagem ao telespectador. Segundo, todos sabem que a politização da administração pública não é exatamente recomendável neste estágio de desenvolvimento. Terceiro, emigrantes também exercem um papel fundamental para o desenvolvimento do país de origem. Isso é um assunto indiscutível na literatura econômica. Explorarei o terceiro ponto.

A remessa de reservas por emigrantes para o país de origem tem impacto positivo no desenvolvimento econômico de países extremamente pobres como Bangladesh e Haiti. El Salvador, que tem metade de sua população vivendo nos Estados Unidos, é dependente de remessas de dinheiro para famílias que ainda residem no país. Não por acaso, muito se advogou para que mecanismos de transferência de recursos fosse feita de maneira rápida e segura – o que é também favorável aos Bancos Centrais e governos.

O referido Ministro provavelmente vem de algum país da América Central. Naturalmente, o Brasil está um passo a frente de El Salvador, República Dominicana e Guatemala, por exemplo; o que torna o comentário da candidata ainda mais infeliz. De qualquer forma, os aproximadamente 3 milhões de brasileiros (1.6% d população) que moram no exterior remeteram anualmente em torno de 0,25% do PIB entre 1995-2009, segundo dados do Banco Central. Isso significa 2 bilhões de dólares por ano, em média. A variação no volume de remessas ao longo dos anos não é tão intensa como variações no crescimento da economia (PIB), porém há uma tendência clara: manda-se mais recursos para o Brasil em época de crise. Independente do motivo pelo qual isso ocorra, é extremamente benéfico para as contas externas do país e para as famílias daqueles que deixaram, mesmo que temporariamente, o Brasil.

Dilma, como uma boa mineira, deveria saber que cidades como Governador Valadares e outras cidades vizinhas devem, em grande medida, a melhoria de habitações, aumento na arrecadação de impostos e enriquecimento bruto da cidade à remessa de recursos feita por mineiros que imigraram para os Estados Unidos.

Além disso, há outros benefícios – mais difíceis de serem quantificados – que brasileiros não residentes no país trazem para nossa economia: capital humano (experiência profissional, conhecimento), tecnologia e, sobretudo, uma visão de que desenvolvimento econômico não se faz sentado na burocracia governamental ou guiado pelo nacionalismo ingênuo.

Sinto-me obrigado a defender brasileiros que, além de suarem a camisa para que suas poupanças sejam convertidas no bem-estar de suas famílias, fazem com que nosso país seja realmente querido “lá fora”. Não é Lula, não é FHC, não é Dilma, tampouco Serra, que fizeram o Brasil ser visto como o país de felicidade e futuro. É nossa gente. Mesmo que uma pequena porção dela não resida no Brasil, pode ter certeza que há nossa bandeira verde-e-amarela estendida em qualquer lugar que estejamos.

Dilma: o Brasil é maior do que o mapa mostra… Da próxima vez, a candidata poderia apenas responder o que lhe foi perguntado: por que colocar o Estado na mão da militância partidária?

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