Choque da paixão

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Compartilho um causo que trouxe de Minas.

Marcílio, nome fictício, é um amigo contaminado pelo sertanejo universitário. Acredita no meteoro da paixão, dentre outras coisas.

Há um mês, convidou Manuela, por quem estava atraído há algum tempo, para sair. Colocou a melhor roupa do armário, seu all-star azul, apanhou Manuela em sua casa – para quem abriu-lhe a porta -, pagou jantar e foram para a baladinha da cidade. O fio estava instigado.

A fia, menos. Enquanto Marcílio estava no bar, Manuela deu meia-volta e foi-se entreter com outros pessoas. Não demorou muito para ela encontrar outro par e se atracar com ele na beirada do palco, onde uma banda local tocava César Menotti e Fabiano.

Marcílio ficou desconcertado, mas havia se preparado psicologicamente para o pior. Afinal, escuta sertanejo todo dia. Afundou-se no copo.

Lá pelas tantas, já não avistava mais Manuela, tampouco encontrara outra pessoa com quem se divertisse naquela noite.  Não tinha clima; a poeira advinda do “meteoro” não havia baixado.

Marcílio, já embriagado ligou sua pick-up e não titubeou,  dirigiu-se para residência de Manuela. Ela não estava. Era uma fia meteórica. Como um bom romântico, roubou a flor do vizinho mais próximo, escreveu uma carta a Manuela e depositou tamanho carinho – e desprendimento – por baixo do portão.

A flor entrou, mas a carta Marcílio tinha suas dúvidas. Teve medo de não ter colocado certo. Fez questão de conferir, mas havia um problema, segundo ele. Não era possível checar por baixo do portão; e por cima havia uma cerca elétrica.

Como um bom romântico, e bêbado, mediu o tamanho da cerca, depois conferiu com o diâmetro de sua cabeça. Achou que daria para pelo menos conferir o paradeiro da carta. Apoiou-se no muro, e entrou sob o arame eletrificado. Não avistava muito. Avançou um pouco mais, e mais, até encontra-se no chão sem saber porquê.  Havia tomado o choque da paixão.

Marcílio descobriu, no outro dia, que a carta havia ficado no carro e colocara o papel errado junto com a flor roubada. Manuela não ligou, tampouco teria como saber quem lhe deixara o presente sem identificação.

O jovem de espírito universitário prometeu aos amigos que iria compor uma canção e mandá-la para um Luan-Santana-da-vida cantar.

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