O vai-e-vem na América Latina

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É comum debater os problemas dos governos latino americanos. Como sabemos, eles não são poucos. Arriscaria a dizer que há três macro-problemas: desorganização, ciclotimia e desigualdade social. 
Desorganização é refletida na falta de método, de consistência intertemporal de ações, no uso excessivo de improviso e de exceções (o que engloba corrupção). Ciclotimia é um substantivo pomposo que denota o vai-e-vem – ou altos e baixos – entre formas de governo, freqüentes mudanças na posturas do governante em relação à sociedade e números recordes de constituições aprovadas (e revogadas, naturalmente!). Parece que sempre há um novo herói e um novo mundo a se construir, baseado em promessas fáceis – porem, muitas vezes, falsas.  A ciclotimia de ações acaba causando desorganização, de tal forma que esses dois problemas relacionam-se de maneira espiral. A desigualdade social posiciona-se no interior desta espiral, sem nunca ser tocada efetivamente. 
A possível vitória do plebiscito de Evo Morales será mais um exemplo disso. Porém, há tanto absurdo no documento, que é quase impossível que dure 10 anos – até aparecer um novo herói. O presidente-orgulhosamente-indígena usa do velho argumento da vontade geral, proclamando um plebiscito para instaurar um "socialismo" ou, pelo que tudo indica, uma ditadura à chavista. Só não podemos deixar de recordar, que este movimento é, também, fruto do abandono e desprezo com que a população indígena viveu durante muitos anos. 

Evo

Agora, basta esperarmos novidades do próximo capítulo…ou país… Paraguai?
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4 comentários sobre “O vai-e-vem na América Latina

  1. Infelizmente, desorganizacao e oportunismo politico nao sao exclusivos da AL. A atual crise financeira e economica e um sintoma das mesmas doencas. Nao ha como afirmar que consistencia intertemporal tem sido a marca da politica estadunidense nos ultimos anos. Nem que Obama, nas suas primeiras medidas, tenha indicado que caminhara neste sentido. Uma das diferencas, alem do grau de gravidade, eh que na AL essas patologias personificam-se em “lideres” que conseguem manter-se no poder distorcendo frageis instituicoes.

  2. Eu concordo. Nos EUA, as lideranças passadas criaram instituições robustas – tais como democracia, congresso, presidencialismo – que, independente do Presidente ou partido, elas são respeitadas. Dentro de um contexto de mudanças, há limites. É isso, principalmente, que não ocorre na AL. Consistência de política econômica e política internacional é difícil existir por um longo período, pois representam estratégias de cada partido e cada candidato.
    O Brasil está bem avançado em comparação ao resto da região. Já a Bolívia…
    Valeu pela contribuição, Sodré! Grande abraço!

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