Não é só Bolsa Família

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O Brasil reduziu a desigualdade social nos último 10 anos. O índice Gini caiu gradativamente de 0,572 para  0,548. É recorrente o argumento que o Bolsa Família contribui para tirar mais brasileiros da linha de pobreza. Ótimo…

… Mas não suficiente. A trasferência direta de renda não resolve problemas estruturais da economia e pode gerar “moral hazard” – pessoas param de trabalhar pois sabem que receberão recursosdo governo de qualquer forma.

Não é novidade o que estou dizendo, mas é preciso atenuar a regressividade da política fiscal. Em português claro, é preciso parar de tratar melhor os ricos do que os pobres na hora de pagar impostos e fazer gastos sociais, sobretudo os relativos à previdência social. Como mostra o gráfico abaixo, a política fiscal não interfere na diminuição de desigualdade no Brasil e na América Latina em geral. Isso seria um belo tema para o debate presidencial. Cadê as propostas?!

Fonte: Inter-American Dialogue (2010). Policy Brief 3.

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2 comentários sobre “Não é só Bolsa Família

  1. Humberto, tranquilo??
    Sobre o post, discordo de vários pontos.
    Penso que se considerar efeitos de moral hazard em relaçao a nao se trabalhar em face de um beneficio com valor tao reduzido quanto o do Bolsa Familia é algo com muito pouco sentido, no melhor dos casos.

    acho que o fato do indice de gini privilegiar a média da distribuiçao pode ter grande influencia na figura acima.Que o Bolsa Familia teve grandes efeitos é um consenso. Por outro lado, os gastos do governo serem muito direcionados aos mais ricos é outro fato.(vide gastos em educação superior). Mas isso nao quer dizer que o setor público nao ofereça salários competitivos de modo a atrair pessoas mais qualificadas. E o plano de aposentadoria é um bom método de financiar esse alto salário (e nao é porque minha mae funcionária pública…).

    Quantos do tipo do tiririca serão eleitos?

    1. Fala Berbel! Quanto tempo! vamos por partes:

      1) O Bolsa Família não é uma renda tão pequena no interior do Piauí, por exemplo. É sabido que o programa tem um impacto relativo muito maior do Nordeste do que no Sudeste.

      2) Como disse, concordo que o Bolsa Família é um bom programa. Porém, não é suficiente. É aqui que precisamos avançar.

      3) Concordamos em relação aos gastos direcionados aos mais ricos, tais como previdência social, ensino superior.

      4) Eu sou um servidor público (fui do governo e hoje sou de organização multilateral). Porém é bom separar uma coisa da outra. No post, não mencionei diretamente a política de remuneração de servidores públicos. Eu concordo que é preciso ter pessoas capacidadas no governo e que precisam ser remuneradas para tal. Não concordo plenamente como está sendo feito. Acho exagerado um recém formado prestar um concurso público e ganhar R$ 14 mil sem ter experiência anterior e sem ter mostrado um bom desempenho no trabalho. Este modelo pode gerar incentivos perversos. Entretanto, é um detalhe que nem entrei no mérito. Independente disso, há diversos problemas com a previdência social, começando pela disparidade entre contribuição/recebimento ao longo da vida, benefícios adicionais para militares, etc.

      5) A solução não é o status quo.

      6) Em relação ao Tirirca(s), bom pergunta!

      Abraços, H.

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