Efeito tequila na plumagem tucana?

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Há um receio que o Brasil se “mexicanize” politicamente com a provável eleição de Dilma no primeiro turno. Isso significaria a hegemonia política do PT. Quando Lula assumiu a Presidência em 2002, José Dirceu profetizava um projeto de poder para o partido de 20 anos. Pode ser que fique. A  própria oposição é co-responsável por este acontecimento, mesmo que agora expresse preocupação. Afinal, não é desejável que o Brasil se desvie dos caminhos da democracia.

Mas por que a oposição seria cúmplice deste processo de petetização do país?

1) O PSDB nunca se esforçou para montar um Partido, uma estrutura organizacional e programática que fosse sistêmica e coerente em diferentes níveis de governo e regiões do país. Foi um partido formado de cima-para-baixo, sem nunca ter reforçado os pés-de-barro. Como resultado, não há uma ampla militância engajada, aquela que bate de porta-em-porta para explicar aos vizinhos porque o seu candidato é o mais preparado.

Cometeu-se o erro histórico de privar os filiados de democracia partidária, reduzindo os incentivos dessas pessoas – por mais longe que possam estar da sede do diretório nacional – em promover o partido e sua causa. Grandes decisões sempre foram tomadas a porta fechadas, quando não em jantares caros em algum restaurante dos Jardins (São Paulo). Esta forma de conduzir a política intra-partidária gerou brigas internas indeléveis, afetando a coesão do partido e, certamente, resultados eleitorais. A adoção de prévias eleitorais poderia ser uma solução parcial, se bem implementada.

O PT, por outro lado, possui uma estrutura mais orgânica e a figura de líder carismático do Lula sempre garantiu unidade interna. O grande desafio será no pós-Lula, que, pelo jeito, ainda vai demorar a acontecer.

2) A consistência e robustez da oposição ao governo Lula foi pífia. O público não teve como formar uma opinião de qual seria a alternativa ao governo Lula. Até porque não existia. Quando perceberam que era melhor não o criticar, devido ao seu alto índice de aprovação, calaram-se e, até mesmo, colocaram sua face e lembraram seu nome em materiais de campanha. Deixaram o gol aberto para Dilma – uma fabrição de Lula – fazer marcar de cabeça. Ainda não o fez, mas tem bons indicativos que o fará.

O risco de não haver uma contrapartida de peso ao PT e ao lulismo é preocupante. Começar a discutir fusões entre partidos e outras possíveis medidas pós-eleitorais sem rever problemas estruturais de organização partidária pode ser apenas chover no molhado.  A reforma política, conforme Lula e Dilma alardeiam que irão promover, pode ajudar a mudar este quadro de fragilidade partidária, mas vai depender totalmente dos detalhes – até agora pouco discutidos. De qualquer forma, a pergunta que fica é: se o PT conseguiu se estruturar ao longo desses anos, por que os outros partidos não o fizeram?

Parece-me também existir um problema de liderança e atitude em relação à vida partidária tucana. Aconteça o que acontecer, o PSDB, como principal partido da oposição, precisa se adaptar a um novo cenário político e, sobretudo, preparar-se para o futuro. A democracia não funciona propriamente sem oposição – e sem revezamento no poder.

A história nos mostra que políticos inteligentes sabem a aproveitar crises em benefício de um projeto político de longo prazo. Pode parecer uma tarefa difícil, mas a hora é oportuna.

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