Não sacrifique 4 dias, 4 anos, sua vida política

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No dia 13 de outubro criei uma comunidade no Facebook chamada “Não sacrifique 4 anos por 4 dias de praia!”. O objetivo era mobilizar eleitores da classe média a votar no dia 31 de outubro, em pleno feriadão de Finados, no candidato do PSDB José Serra.

O facebook é uma comunidade social de que a classe média/média-alta participa. 752 amigos meus foram convidados no dia 13 de outubro. Hoje, dia 29, a comunidade já tem 35 mil pessoas confirmadas que votarão em Serra, 14 mil, em Dilma, e 3 mil ainda não sabem. 3,1 mil comentários foram postados no “wall”. O número de pessoas convidadas já não está mais registrado pelo alto volume de convites feitos, mas há três dias já passavam de 140 mil pessoas convidadas. Isso é 2 vezes a população da grande Alfenas!

Comparando com o número de eleitores no Brasil (132 milhões), esta amostra é muito pequena. Quanto aos usuários brasileiros do facebook (6 milhões), também. Mas quando olhamos o número de pessoas que convidei inicialmente, este é um número extremamente alto. Mas por que em 17 dias 752 convites  transformaram-se em 140 mil? Qual é a relação que essa manifestação tem com nosso sistema partidário e a própria participação do cidadão no processo político?

Você faz sua parte, seu amigo faz sua parte, o amigo-do-amigo faz sua parte… e assim por diante… esta é a estrutura de rede social, que está dada. Quais são os incentivos de espalhar a notícia? Neste caso, creio que foi uma forma descontraída de chamar o cidadão para a responsabilidade e pensar melhor antes de trocar lazer por dever (votar).  A maior parte dos comentários no “wall”, por exemplo,  foram reativos – seja a favor ou contra o candidato tucano.

Esta foi somente uma de várias comunidades ou iniciativas de apoio ao candidato José Serra na internet criadas por cidadãos sem vínculo partidário, mas que têm posicionamento político. Diferentemente do PT, o PSDB não é um partido de militância. Portanto, são diversos retratos de puro voluntarismo de pessoas que, a princípio, não têm nenhum benefício concreto com a vitória de Serra, mas criticam o PT, a corrupção, gostavam de Marina (mas não de Dilma), não gostam de Serra mas muito menos de Dilma… Enfim, um público bem diverso, mas com um objetivo comum nessas eleições.

A própria campanha de Serra não entendeu bem este movimento. Na sua campanha de mobilização on-line, o conteúdo é controlado, monitorado e, aparentemente, serviu mais para promoção de um ou outro organizador de campanha do que para a criação compartilhada de conhecimento e mobilização. Parece que esqueceram boa parte do funcionamento e do próprio significado histórico e simbólico da chamada wikieconomics.  

Independentemente do resultado deste domingo, a grande conclusão que tiro desta efêmera comunidade é que há uma camada da população que tem concordância com algumas diretrizes históricas defendidas pelo PSDB (embora nesta eleição não se discutiu muito de substancioso) e querem participar, mas, ao mesmo tempo, não tem nenhum contato com a vida partidária. Seja ou não vitorioso, a pergunta que fica para o PSDB responder depois das eleições é: por que?

Eu arrisco a pincelar algumas variáveis que podemos discutir em detalhes depois que a onda abaixar e todos votarem 45: falta de campanha de atração e retenção de filiados, carência de incentivos para se filiar e participar da vida partidária (até porque o filiado não influi na escolha de nenhum candidato a cargo executivo, por exemplo), instauração de uma democracia partidária baseada em regras claras (que evitaria conflitos internos) e, o que é mais sério, na crença que política se faz com participação e deve vir de baixo-para-cima… e não o oposto – à la cacique…

Como os 35 mil cidadãos confirmados, não sacrifique 4 anos por 4 dias de praia! Como brasileiro, não sacrifique seu poder de comunicação. Não sacrifique sua visão e sua vida política. Não sacrifique seus sonhos. Vote em quem acredita, mas não sacrifique o futuro do nosso Brasil.

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9 comentários sobre “Não sacrifique 4 dias, 4 anos, sua vida política

  1. Cara, vc foi direto ao ponto, fez sua análise do PSDB e conclamou as pessoas a participarem da vida política brasileira. E, principalmente, tire o PSDB da rota da insignificancia, já que o projeto original era grandioso e revelava uma visao de pais muito diferente do que aponta hoje.

    Participei ativamente de sua comunidade (adivinha quem sou ??) e tb sentí falta de um contraponto e de contraditórios que enriquessesem (dica) o debate. Talvez não fosse o local adequado para isso, mas tentei sinceramente participar ativamente.

    Espero ter ajudado, apesar do histrionismo (rs)

    Forte abc

    1. Obrigado Athalyba. É muito complicado para mim (falta de tempo) ter uma participação muito ativa na comunidade, mas creio que as discussões e provocações foram bem bacanas, para todos. Sobretudo, para colocar nossar classe média a pensar no que quer para o país.

      Temos um longo caminho. Da maneira que posso, seja lá onde esteja, minha agenda de trabalho é sempre o Brasil.

      Agora me conte: Nelson Cunha? Riquinho?

      Abraços,

      H.

      1. Riquinho do Cacá e Luiz Cesar Leite 🙂

        Sempre fui militante (fui da UJS e do PC do B, hoje sou publicitário de grande corporações *rs) e acho esse o único caminho possível para um país melhor, não importando onde vc milite. Por isso, espero sinceramente que seu chamado nunca deixe de ser feito.

        E não comemore muito: volta e meia estarei aqui, para mais diálogos impertinentes (+rs)

        Valeu !!!

      2. Tinha quase certeza que era o Riquinho, pois uma vez disse que trabalhava com publicidade (foto do Lula lendo o livro). Mas 2 não esperava!

        Bem, esta é a vida no sistema capitalista! Você não é o único. Eu, por outro lado, sempre trabalhei no setor público… Meio por acaso, agora por gosto.

        Obrigado pela participação na comunidade e continue participando por aqui. Discussões são sempre saudáveis em bem-vindas.

        Valeu e abs, H.

  2. O lugar onde você criou seu manifesto só mostra como a poilitica do Serra é voltada para a classe média alta. Incomoda tanto assim o fato de pessoas sairem da linha da miseria e novas pessoas atingirem a classe média? É tão ruim ver a desigualdade social diminuir?

    1. Caro Gabriel, parece-me muita ingenuidade sua achar isso. Diminuir a desigualdade social é bandeira do PSDB e do PT, quanto de qualquer pessoa que têm o mínimo de sanidade mental no Brasil.

  3. Gabriel, vc foi objetivo e certeiro. A classe média alta é a classe que mais se encomoda com uma política econômica com menos marginalização social. A questão está mais no emocional do que no econômico. Temem pela perdade de poder relativo na sociedade. Mas não se esqueça que vivemos num país democrático e embora a grande maioria concorda com uma política pública e econômica de diminuição das desigualdades, outras pessoas não pensam assim. Não esqueçamos que esse Brasil, que é uma das maiores economias do mundo tem (ou tinha) o 3o. maior indice de Gini (Concentração de Remdas) do mundo – 0,56. Acima de nós com 0,59 a Africa do Sul, Tailandia e Haiti e com 0,60 a Bolivia, Camarões e Madagascar.
    Li o texto inteiro e não vi nenhum fundamento político, social, econômico ou outro para se votar no PSDB ou no Serra, parece-me mais uma oposição sistemática baseada em rótulos, ideologia, e outros aspectos subjetivos.
    Não sou petista nem tampouco ingênuo como as pessoas costumam rotular os que não concordam com elas.

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